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CRENÇAS DISTORCIDAS NO TOC



Domínios de crenças distorcidas no TOC

A convicção que como tempo foi se firmando de que as crenças tinham um papel importante no TOC fez com que um grupo de especialistas, denominado de Obsessive Compulsive Cognitions Working Group (OCCWG), se reunisse em duas ocasiões, na década passada, para estabelecer por consenso o que seriam as crenças os principais grupos ou temas (domínios) de crenças disfuncionais comuns no TOC. Esses grupos ou temas são apresentados a seguir.

Responsabilidade excessiva

É a tendência a sentir-se responsável por eventos fora do próprio controle e por suas possíveis conseqüências. Tal sentimento leva a constantemente realizar rituais de verificação, de limpeza, repetições ou até mesmo rituais de caráter supersticioso. Por exemplo: “Se eu não apagar e acender a luz seis vezes, minha mãe pode adoecer, e a responsabilidade será minha” ou “Se eu não verificar o fogão, o gás pode vazar e minha casa incendiar. E eu serei o único responsável”. Ter um excesso de responsabilidade é considerado por alguns autores como o problema central do TOC.

Avaliar o risco de forma exagerada

É a tendência a superestimar a gravidade das conseqüências e a probabilidade de que eventos negativos aconteçam, determinando rituais de limpeza, lavagens excessivas, verificações e evitações. Por exemplo: “Se eu apertar as mãos ou tocar em outras pessoas, posso contrair doenças” ou “Se eu deixar o rádio ligado na tomada, ele poderá incendiar, e a toda a casa pegará fogo”.

Avaliar de forma exagerada a importância e o poder dos pensamentos
É a crença segundo a qual pensar é igual a agir ou cometer, ou que pensar pode influenciar o futuro. Assim, o pensamento significa a mesma coisa que a ação. Essa crença também é chamada de fusão do pensamento e da ação, como já comentamos anteriormente. Acredita-se que origine as obsessões de caráter agressivo ou sexual, obsessões e rituais de conteúdo mágico, contagens, etc. Por exemplo: “Ter pensamentos agressivos (ou obscenos) indica um risco de eu vir a cometê-los” ou “Porque eu pensei em morte, alguém da minha família vai morrer”.

Preocupação excessiva em controlar os próprios pensamentos

É a crença segundo a qual é preciso exercer controle total sobre os pensamentos e conseguir afastá-los da mente. É uma decorrência de se valorizar de forma excessiva o poder do pensamento. Por exemplo: “Irei para o inferno se
eu não conseguir afastar esses pensamentos de conteúdo blasfemo”.

Intolerância à incerteza

É a necessidade de ter certeza absoluta em relação ao presente e ao futuro. Isso dá margem a dificuldades de conviver com incertezas e provoca obsessões de dúvida, ruminações obsessivas, repetições e verificações, busca de
reasseguramentos. Está relacionada também ao perfeccionismo, na medida em que se acredita que tendo certeza não se cometem falhas. Por exemplo: “Se eu não tiver certeza absoluta sobre algo, vou cometer erros e não serei perdoado”. “Preciso ter certeza de que na conversa com meu amigo não falei nada de impróprio”.

Perfeccionismo

É a tendência a conduzir-se de acordo com um padrão muito elevado de exigências e de intolerância a falhas. O perfeccionismo está relacionado com obsessões e compulsões por ordem, simetria, alinhamento; com verificações e
repetições decorrentes da necessidade de fazer as coisas de forma perfeita, completa ou sem falhas. Por exemplo: “Se meu trabalho tem alguma falha, perde totalmente seu valor”, “Uma falha sempre representa um fracasso”, “Uma falha sempre é imperdoável, mesmo se involuntária ou não-intencional” ou, ainda, “É possível, então devo ser perfeito”. Nem sempre todas essas crenças estão presentes em todos os portadores de TOC. Uma ou mais podem predominar (perfeccionismo, excesso de responsabilidade, etc.), mas também, pode ocorrer uma sobreposição de crenças em um mesmo paciente (excesso de responsabilidade e exagerar o risco,
necessidade de ter certeza e perfeccionismo).


''Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus. Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim.''


 Desejo que possamos entender que somos os roteiristas do nosso livro da vida e ninguem mais pode escreve-lo para nós, por isso é preciso ter força para vencermos os nossas proprias imperfeições, sem desenvolvermos, entretanto, intolerancia perante as nossas falhas!


(Aristides Cordioli, Vencendo o TOC)





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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

CRENÇAS DISTORCIDAS NO TOC

Postado por Rafaela Bussade às 07:36


Domínios de crenças distorcidas no TOC

A convicção que como tempo foi se firmando de que as crenças tinham um papel importante no TOC fez com que um grupo de especialistas, denominado de Obsessive Compulsive Cognitions Working Group (OCCWG), se reunisse em duas ocasiões, na década passada, para estabelecer por consenso o que seriam as crenças os principais grupos ou temas (domínios) de crenças disfuncionais comuns no TOC. Esses grupos ou temas são apresentados a seguir.

Responsabilidade excessiva

É a tendência a sentir-se responsável por eventos fora do próprio controle e por suas possíveis conseqüências. Tal sentimento leva a constantemente realizar rituais de verificação, de limpeza, repetições ou até mesmo rituais de caráter supersticioso. Por exemplo: “Se eu não apagar e acender a luz seis vezes, minha mãe pode adoecer, e a responsabilidade será minha” ou “Se eu não verificar o fogão, o gás pode vazar e minha casa incendiar. E eu serei o único responsável”. Ter um excesso de responsabilidade é considerado por alguns autores como o problema central do TOC.

Avaliar o risco de forma exagerada

É a tendência a superestimar a gravidade das conseqüências e a probabilidade de que eventos negativos aconteçam, determinando rituais de limpeza, lavagens excessivas, verificações e evitações. Por exemplo: “Se eu apertar as mãos ou tocar em outras pessoas, posso contrair doenças” ou “Se eu deixar o rádio ligado na tomada, ele poderá incendiar, e a toda a casa pegará fogo”.

Avaliar de forma exagerada a importância e o poder dos pensamentos
É a crença segundo a qual pensar é igual a agir ou cometer, ou que pensar pode influenciar o futuro. Assim, o pensamento significa a mesma coisa que a ação. Essa crença também é chamada de fusão do pensamento e da ação, como já comentamos anteriormente. Acredita-se que origine as obsessões de caráter agressivo ou sexual, obsessões e rituais de conteúdo mágico, contagens, etc. Por exemplo: “Ter pensamentos agressivos (ou obscenos) indica um risco de eu vir a cometê-los” ou “Porque eu pensei em morte, alguém da minha família vai morrer”.

Preocupação excessiva em controlar os próprios pensamentos

É a crença segundo a qual é preciso exercer controle total sobre os pensamentos e conseguir afastá-los da mente. É uma decorrência de se valorizar de forma excessiva o poder do pensamento. Por exemplo: “Irei para o inferno se
eu não conseguir afastar esses pensamentos de conteúdo blasfemo”.

Intolerância à incerteza

É a necessidade de ter certeza absoluta em relação ao presente e ao futuro. Isso dá margem a dificuldades de conviver com incertezas e provoca obsessões de dúvida, ruminações obsessivas, repetições e verificações, busca de
reasseguramentos. Está relacionada também ao perfeccionismo, na medida em que se acredita que tendo certeza não se cometem falhas. Por exemplo: “Se eu não tiver certeza absoluta sobre algo, vou cometer erros e não serei perdoado”. “Preciso ter certeza de que na conversa com meu amigo não falei nada de impróprio”.

Perfeccionismo

É a tendência a conduzir-se de acordo com um padrão muito elevado de exigências e de intolerância a falhas. O perfeccionismo está relacionado com obsessões e compulsões por ordem, simetria, alinhamento; com verificações e
repetições decorrentes da necessidade de fazer as coisas de forma perfeita, completa ou sem falhas. Por exemplo: “Se meu trabalho tem alguma falha, perde totalmente seu valor”, “Uma falha sempre representa um fracasso”, “Uma falha sempre é imperdoável, mesmo se involuntária ou não-intencional” ou, ainda, “É possível, então devo ser perfeito”. Nem sempre todas essas crenças estão presentes em todos os portadores de TOC. Uma ou mais podem predominar (perfeccionismo, excesso de responsabilidade, etc.), mas também, pode ocorrer uma sobreposição de crenças em um mesmo paciente (excesso de responsabilidade e exagerar o risco,
necessidade de ter certeza e perfeccionismo).


''Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus. Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim.''


 Desejo que possamos entender que somos os roteiristas do nosso livro da vida e ninguem mais pode escreve-lo para nós, por isso é preciso ter força para vencermos os nossas proprias imperfeições, sem desenvolvermos, entretanto, intolerancia perante as nossas falhas!


(Aristides Cordioli, Vencendo o TOC)





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